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BRASÍLIA - O número de matrículas na Educação Básica caiu 1,2% entre 2008 e 2009, passando de 53,3 milhões para 52,5 milhões de alunos. Este é o resultado do Censo Escolar 2009, divulgado nesta segunda-feira pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep). O ensino básico vai da creche ao último ano do ensino médio e inclui também a educação profissional, especial e de jovens e adultos. (Leia mais: Ensino superior tem quase 1,5 milhão de vagas ociosas; 98% estão nas particulares)
O número de escolas também diminuiu 1,1%, passando de 199,7 mil para 197,4 mil. Para o presidente do Inep, Reynaldo Fernandes, a queda nas matrículas não significa necessariamente que esteja havendo aumento da evasão escolar. Ele acredita que o resultado reflita uma melhora no fluxo escolar - menos alunos estariam repetindo o ano - e de uma diminuição na taxa de natalidade brasileira a partir dos anos 80.
- Queda na matrícula não quer dizer que os alunos estão abandonando as escolas. Há duas razões fundamentais: primeiro há uma redução no número de nascimentos, em segundo lugar as matrículas são afetadas por fluxos. Se você melhora o fluxo educacional, você tem diminuição da matrícula - disse Fernandes.
Ele afirma que a taxa de atendimento educacional vem crescendo em todas as faixas etárias. Na pré-escola o número de matrículas diminuiu 2% de 2008 para 2009. O Inep diz que a explicação é que, com a mudança do ensino fundamental de oito para nove anos de extensão, há um reflexo na pré-escola, que perde um ano letivo. O ensino médio teve uma perda de 0,3% nas matrículas. Já o ensino profissionalizante aumentou 8,3%, passando a oferecer 65.655 vagas a mais este ano.
As atividades complementares - oferecidas após o horário regular - têm aumentado em todas as áreas. O acompanhamento pedagógico cresceu 40,4%, atividades relacionadas a arte e cultura aumentaram 62,9% e esportes e lazer cresceram 51,4%.
- O aluno que está em atividade complementar volta à escola num segundo turno para realizar essa atividade. Isso está aumentando muito, o que é uma solução, inclusive em termos de segurança, manter os alunos por mais tempo na escola - argumentou a diretora de estatísticas educacionais do Inep, Maria Inês Pestana
E agora, qual será a responsabilidade do professor acerca desse fenômeno? Porque sempre que há algum fenômeno em educação, a culpa é sempre nossa, do professor!
Segundo divulgado pelo jornal O Globo de quarta-feira, 29 de abril, na matéria “Retratos do Brasil”, o Colégio São Bento do Rio de Janeiro é bicampeão no ranking do ensino médio nacional. Faz parecer, logo de cara, que quanto maior é o recurso, maior será o rendimento de uma instituição de ensino. Será? É claro que dinheiro faz falta e até, ao contrário do que muitos dizem, traz felicidade. Mas, como professor há cerca de onze anos e membro de uma família cuja experiência no magistério vem desde o ano de 1957, já vi, e muito, instituições de ensino bem modestas e de excelentes resultados práticos.Há várias provas vivas de GENTE que passou por tais instituições e hoje contam com uma formação digna e de excelência.Gente que não só faz, mas faz bem! Ora! Então, o que de fato é responsável pela boa qualidade de ensino numa instituição? De fato, é um agregado de variáveis. Isso aí_ VARIÁVEIS_ porque cada caso sempre será um caso.
Pouco confio em rankings, sempre desconfio que os números sejam, na maioria das vezes, parâmetros limitados quando o tema abordado é de ambientação social e/ou cultural, assim como no caso da educação ou do ensino de uma forma geral. Mas também sou forçado a concordar que ainda sejam, os números, melhores que nada.
Na tentativa de não violentar a coerência, lancei-me na análise com base em minha experiência de vida e profissional, ou seja, com olhar de aluno que sempre conviveu em casa com professores e também, com olhar de professor. Um dos primeiros frutos dessa análise foi de que as escolas particulares de melhor colocação, também são as mais caras, logo, fez-me pensar que seus alunos têm um aparato de recursos que pode suplementar ou até mesmo complementar a instituição da qual faz parte. Sei lá, de cursos extraclasses até professores particulares etc.
Já, no caso das escolas públicas, e a coisa pública nem sempre é universal, é clamorosa a distinção que existe entre essas instituições. De um lado as escolas de excelência, federais em sua maioria, que selecionam os alunos através de concursos concorridíssimos de admissão, algumas até com a prática da jubilação em caso de reprovação e, do outro lado, a estrondosa maioria de escolas públicas estaduais que, aos trancos e barrancos, recebem, universalmente, toda espécie de aluno, não seleciona, não discrimina, é autoritariamente democrática e é alvo da cultura do “apenas quero o meu diploma”. Nas escolas “públicas” de bom rendimento, o contribuinte custeia um aluno cuja família investiu no seu ingresso e investe na sua manutenção dentro dessas instituições. Parece um bom investimento, a sociedade banca a formação de um cidadão que, teoricamente, no futuro reverterá essa boa qualificação em benefício para a própria sociedade da qual ele também faz e continuará fazendo parte. Agora, o que dizer acerca do desperdício do contribuinte nas demais escolas públicas, aquelas que ranquearam lá embaixo? Aí, sai caro demais! A sociedade custeia um pseudocidadão que não se convence de que o público não é de graça, pelo contrário, às vezes sai bem caro no orçamento social, um indivíduo cuja família parece também não compreender a idéia do custo e dos reais benefícios da educação pública de qualidade e, sobretudo, uma incomensurável perda de tempo. Ou seja, um tremendo desperdício.
Quem, além de confiar no academicismo educacional, tem a prática recente e cotidiana da sala de aula pública (e não “pública”), sabe muito bem do que estou falando. O PROFESSOR, uma criatura que ao mesmo tempo consegue ser negligenciada e responsabilizada pelas autoridades e pela sociedade, cuja sua gênese, certamente alicerçada de sonhos, aspirações e boas intenções, entra em sala de aula numa escola pública e se depara, na maioria das vezes, com um ambiente no mínimo decepcionante, em alguns casos até amedrontador. Raramente, se não nunca, fora feito algo efetivo para esse profissional, para sua autoestima, para o seu conforto, para sua formação, para sua satisfação profissional, sustentabilidade etc. Pelo que há de mais sagrado, não me falem em bugigangas tecnológicas que algumas autoridades insistem ser a solução, não me venham com a ladainha salarial ou com as inúmeras capacitações continuadas_ como se fossemos incapazes_ tudo isso chega a ser um insulto a nossa capacidade cognitiva. Precisamos sim de recursos, mas com muito critério, estudo e pesquisa. Mas o principal recurso que falta no ambiente educacional público é a valorização do processo, é a operacionalização e a logística compatível com as realidades de cada ambiente específico e, sobretudo, a conscientização da sociedade de que a escola é, junto à família, o alicerce de uma sociedade.
Enquanto os nossos jovens, a família de nossos jovens e a sociedade em geral enxergar a escola com esta lente desfocada do simplismo, enquanto o cinismo social imperar, enquanto as perspectivas passarem ao largo do ambiente escolar e, principalmente, enquanto as nossas autoridades continuarem dando maus exemplos, nem mesmo uma intervenção milagrosa mudará esse quadro medíocre e perverso refletido em parte pelo ranking do ENEM.
Ou nos mancamos que precisamos o quanto antes de uma revolução cultural, ou seguiremos enxugando gelo e desperdiçando o nosso tempo e os nossos recursos nisso que hoje chamamos de educação.
A mediocridade não está somente na escola, mas em toda sociedade. A escola é apenas o seixo mais visível desse complexo relevo social e, de certa forma injustamente, uma das instituições mais alvejadas de responsabilidade pelo nosso fracasso enquanto sociedade. Se assim continuar, haverá a era em que ninguém, excetos os medíocres e os fracassados, investirá o seu tempo e a seu potencial no ofício de ensinar o próximo.
Oxalá eu esteja errado, mas a luz que vislumbro no fim desse túnel parece ser de uma titânica carreta desgovernada em alta velocidade e vinda em nossa direção.
Desinteresse é o principal motivo da evasão escolar dos jovens, afirma pesquisa da FGV-RJ
A falta de interesse pela escola é o principal motivo que leva o jovem brasileiro a evadir. A pesquisa Motivos da Evasão Escolar, lançada nesta quarta-feira pela Fundação Getulio Vargas - FGV-RJ, revela que 40% dos jovens de 15 a 17 anos que evadem deixam de estudar simplesmente porque acreditam que a escola é desinteressante.
A falta de interesse pela escola é o principal motivo que leva o jovem brasileiro a evadir. A pesquisa Motivos da Evasão Escolar, lançada nesta quarta-feira pela Fundação Getulio Vargas - FGV-RJ, revela que 40% dos jovens de 15 a 17 anos que evadem deixam de estudar simplesmente porque acreditam que a escola é desinteressante. A necessidade de trabalhar é apontada como o segundo motivo pelo qual os jovens evadem, com 27% das respostas, e a dificuldade de acesso à escola aparece com 10,9%.
Coordenada pelo economista Marcelo Neri, a pesquisa mostra que, apesar de diversos estudos demonstrarem o impacto da Educação na qualidade de vida e na renda dos indivíduos, em 2006, 17,8% da população 15 a 17 anos, que deveriam estar cursando o Ensino Médio, caso não houvesse atraso escolar, estavam fora da escola.
Entre as motivações que levaram esses jovens a evadir, na comparação entre 2004 e 2006, o desinteresse pela escola caiu de 45,12% para 40,29%, embora ainda seja o principal motivo. Já a necessidade de trabalhar aumentou de 22,75% para 27,09%.
O coordenador da pesquisa acredita que o desinteresse do jovem pela escola reflete a falta de demanda por Educação. "O que a pesquisa está mostrando é que não basta garantir o acesso ou criar programas de transferência de renda para assegurar que esse jovem permaneça na escola, é preciso torná-la mais atrativa, interessante e cativante. O problema da evasão é grave e atinge quase 20% da população de 15 a 17 anos", explica.
Na opinião do pesquisador, as políticas públicas só terão sucesso se houver a concordância e a participação dos pais e os alunos. "É preciso entender as necessidades dos clientes dessas políticas", explica. Marcelo Neri diz que é importante informar e conscientizar esses jovens sobre os benefícios trazidos pela Educação e atraí-los à escola.
Na avaliação de Wanda Engel, superintendente executiva do Instituto Unibanco, uma das organizações que patrocinam o estudo, esses dados refletem uma situação preocupante. "As pessoas não estão atentas a esse problema, nem os governos, nem a opinião pública, nem a mídia, não se deram conta de que isto é uma bomba relógio. Estamos alimentando a exclusão desses jovens da entrada no mercado de trabalho moderno e, pior do que isso, excluindo o País de condições de competitividade no mercado internacional", argumenta.
Segundo Wanda Engel, falta ao jovem entender que a Educação é um investimento necessário. "Conseguir o diploma do Ensino Médio é essencial para entrar na vida adulta", afirma. Para ela, o problema precisa ser atacado em três níveis: criar as condições mínimas para que esse jovem freqüente a escola; melhorar a qualidade da escola; e fazer um trabalho para que esse jovem readquira a sua capacidade de sonhar com um futuro. "Os gestores públicos precisam conhecer o fenômeno, avaliar na sua própria realidade o que pesa mais desses três níveis e desenvolver estratégias específicas para cada um", explica.
O estudo, patrocinado por Fundação Educar DPaschoal, movimento Todos Pela Educação, Instituto Unibanco e Fundação Getulio Vargas - Rio de Janeiro, foi realizado com base nos suplementos de Educação das PNADs de 2004 e 2006 e na Pesquisa Mensal do Emprego - PME/IBGE, utilizando as respostas diretas de pais e alunos sobre os motivos da evasão escolar.